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Diabetes: a prevenção começa na infância

Diante da epidemia de obesidade na infância e adolescência, especialistas alertam que estimular hábitos saudáveis entre as crianças afasta o risco de diabetes 


Hábitos alimentares ruins e sedentarismo aumentam os riscos de diabetes em crianças e adolescentes. Foto: Freepik.
Hábitos alimentares ruins e sedentarismo aumentam os riscos de diabetes em crianças e adolescentes. Foto: Freepik.

Mais da metade da população brasileira sofre com sobrepeso e a obesidade aumentou 60% nos últimos dez anos. A rotina corrida, o sedentarismo e o fácil acesso aos alimentos ultraprocessados, aqueles fabricados pela indústria, cheios de aditivos químicos, corantes e emulsificantes, mas que vêm prontos para o consumo, estão entre as principais causas da mudança no comportamento alimentar das famílias brasileiras. Na esteira dos maus hábitos alimentares, porém, vêm outras doenças graves, como o diabetes. No Brasil, 16,6 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos são diabéticas e a expectativa é que este número alcance 24 milhões até 2050, segundo a 11ª edição do Atlas da Federação Internacional de Diabetes publicado em 2025. Mas, existe um caminho simples para reduzir essa alarmante estatística.


E ele começa na infância. É o que alerta a médica endocrinologista pediátrica do Centro Médico do São Francisco Instituto Vida, Mariana Xavier da Silva Marana. Ela afirma que, infelizmente, hoje, os dois tipos de diabetes, 1 e 2, têm aparecido em crianças cada vez mais novas. O diabetes tipo 1 possui um fundo genético hereditário e a principal causa é autoimune, ou seja, o corpo não reconhece as células que produzem insulina e começam a produzir anticorpos contra elas, o que leva a um quadro de insulite, uma inflamação crônica nessas células, que perdem a capacidade de produção de insulina, por isso, a criança se torna diabética. Nestes casos, o paciente precisa de insulina logo que é feito o diagnóstico.


Já o diabetes tipo 2, segundo a médica, está mais relacionado ao estilo de vida, especialmente aos maus hábitos alimentares, sobrepeso e obesidade. Possui um fundo genético hereditário maior do que no tipo 1. A pessoa que tem pai, mãe, irmãos ou avós com diabetes tipo 2, tem mais chances de desenvolver a doença ao longo da vida. “Hoje, vivemos uma epidemia de obesidade na infância e na adolescência, o que está muito associado aos casos de diabetes tipo 2. Já o aumento de casos de doenças autoimunes tem ligação com o aparecimento do diabetes tipo 1. Nesta situação, a criança, em geral, tem um índice de massa corpórea normal ou até apresenta baixo peso, se o diabetes estiver descompensado”, esclarece.


Mariana Marana, endocrinologista pediátrica do São Francisco Instituto Vida. Foto: Roberto Custódio.
Mariana Marana, endocrinologista pediátrica do São Francisco Instituto Vida. Foto: Roberto Custódio.

Mariana diz que os pais devem ficar atentos aos sinais de alerta, como perda de peso repentina, muita sede, muita vontade de urinar, e até aumento do apetite. Outros sintomas que podem aparecer são turvação visual, dor abdominal, náusea, dor de cabeça. Sinais clássicos do diabetes tipo 2, além do aumento da circunferência abdominal, são manchas escuras nas dobras do pescoço, axilas, virilha. E aí é hora de procurar um endocrinologista pediátrico. De acordo com a especialista, na maioria dos casos, quem acende o alerta é o próprio pediatra da criança.


“O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado vão ajudar a iniciar o tratamento imediatamente, para que não haja complicações sérias. Muitas crianças, especialmente aquelas com diabetes tipo 1, chegam muito tarde aos serviços de saúde, já num quadro chamado de cetoacidose, considerado uma emergência médica, pois os níveis de açúcar no sangue estão muito altos. A criança pode ter perda da consciência, precisar de internação na UTI e, em alguns quadros, até de intubação, porque acaba tendo uma insuficiência respiratória relacionada ao diabetes descompensado”, descreve Mariana.


Hábitos saudáveis


Diante da correlação da obesidade infantil com o aumento dos casos de diabetes, cuja campanha mundial de conscientização é feita anualmente no dia 14 de novembro, é fundamental que as famílias se conscientizem sobre a prevenção, especialmente porque cerca de 90% dos casos estão relacionados ao tipo 2, que está ligado a um estilo de vida pouco saudável, alto consumo de alimentos ultraprocessados e sedentarismo. A endocrinologista pediátrica destaca que adotar bons hábitos alimentares na infância pode reduzir as chances de desenvolver a doença não apenas no futuro mas, essencialmente, no presente.


“O que a gente mais orienta é sobre adotar uma alimentação saudável. Manter uma rotina de atividade física diária ou então pelo menos três a quatro vezes na semana, com duração mínima de 30 a 40 minutos, também é fundamental para garantir que as crianças não fiquem sedentárias”, recomenda.


Daniela Bento Nogueira, nutricionista do São Francisco Instituto Vida. Foto: Roberto Custódio.
Daniela Bento Nogueira, nutricionista do São Francisco Instituto Vida. Foto: Roberto Custódio.

A nutricionista do Centro Médico do São Francisco Instituto Vida, Daniela Lopes Oliveira Bento Nogueira, esclarece que os alimentos ultraprocessados são os refrigerantes, sucos artificiais, salgadinhos, bolachas recheadas, fast food, embutidos e produtos com muito açúcar, gordura e sódio. As bebidas açucaradas podem ser substituídas por água, água saborizada natural ou sucos feitos com 100% de fruta, desde que ingeridos em pequenas quantidades. “O consumo elevado de açúcar é um dos principais fatores de risco para obesidade e resistência à insulina. É importante, também, evitar adicionar açúcar em mamadeiras, sucos, frutas ou mingaus antes dos 2 anos de vida”, alerta.


Daniela orienta que uma alimentação equilibrada e natural deve incluir os alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões e outras leguminosas; proteínas magras, como frango sem pele, peixe, ovos, carne bovina magra, tofu; laticínios com baixo teor de gordura (dependendo da idade); e carboidratos complexos, como arroz integral, aveia, batata-doce, mandioca, pães integrais. É importante reduzir o consumo de farinhas refinadas e doces, o que inclui pães brancos, bolos, biscoitos, massas comuns. Controlar o tamanho das porções e fazer refeições em horários regulares ajudam na manutenção do peso.


“A prevenção é mais eficaz quando toda a família adota hábitos saudáveis. Comer juntos em casa, preparar alimentos frescos e evitar o consumo de ultraprocessados são atitudes que servem de exemplo”, completa a nutricionista.




 
 
 

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